Mad Man e Eu – Capítulo 9

Mad Man e Eu – Capítulo 9

Só para vocês entenderem, eu tinha veleiro e fazia pequenos cruzeiros. Assim, me vi obrigado e aprender a cozinhar com poucas panelas e uma boca de fogo. Nos anos 80’s o Brasil ainda era muito fechado para importações e eu ficava maluco nos supermercados americanos. Tinha tudo de todos os lugares do mundo. Da cozinha italiana, francesa, indiana, mexicana, frutos do mar em Naples eram sensacionais, frescos ou congelados do jeito que você quisesse. Era tudo muito prático. Pela primeira vez vi tudo em pequenas porções, pratos semi-prontos, prontos ou in-natura para fazer em casa. Uma loucura!! A Myra que era maravilhosa executiva, organizada, mandona…mas de cozinha não sabia nada. Quando estávamos lá eles tinham imenso prazer em convidar os amigos para que eu cozinhasse. Como estava à passeio, curtindo e com aqueles supermercados. Cara! Eu simplesmente adorava. Quando Regina e eu, não estávamos por lá. Eles comiam fora todos os dias e a noite sempre tinha um jogo de baralho na casa de alguém.

 

Mas voltando ao Dan, ele era muito “fiscalizado” pela Myra. Segundo as más línguas, em Nova York ele tinha sido um tremendo mulherengo. E creio que era verdade, quando saíamos só nós, ele não perdia oportunidade de olhar uma mulher bonita, fazer um comentário ou perguntar o que eu achava, ou fazer comparações com a brasileiras. Aliás, eles voltaram para Miami via Rio de Janeiro e ficaram por lá uns dias. Ele me disse que ficou estarrecido com as mulheres na praia. “beautiful women, almost naked” dizia ele.

Nos Estados Unidos a formação é fundamental para qualquer coisa. O Dan formou-se em jornalismo pela Syracuse University em 1934, a cidade fica no condado de Onondaga (é isso mesmo) em Nova York. Trabalhou em jornal como redator e depois editor chefe. No próximo capitulo irei começar a detalhar a carreira e as atividades políticas em que o Dan esteve envolvido. Ele tinha tudo arquivado e mantinha tudo muito organizado. Hoje escrevendo aqui, me arrependo de não ter aceitado boa parte da biblioteca dele. Honestamente, não sei se por preguiça de trazer para o Brasil um monte de artigos, palestras, livros, ou se pelos olhares da Myra, que tinha o Dan e seus pertences como propriedade sua. Honestamente não sei. Depois que comecei a escrever este blog, tenho pensado em gastar um tempo ou pedir a nossa correspondente em Washington ver se acha a Myra. Sei que esta viva e mudou-se para Naples.

Sei que nos anos dourados ele bebia muito e fumava idem. Convém ressaltar que naquele tempo fumar era elegante, todos fumavam muito. O cinema era uma forma maciça de fazer propaganda do produto. Todo mundo fumava e muito, já comentei aqui a razão da campanha do cigarro Marlboro. Assim como no Brasil, nos tempos dourados dos 20% de honorários de mídia, nós também íamos almoçar no Baiúca a uma da tarde, tomávamos dois uísques e mais vinho no inverno e chopp gelado no verão. E o almoço terminava lá pelas quatro da tarde e isso era todo dia. Haja fígado e pulmão. Aqui no sul do hemisfério, também perdemos grandes amigos e excelentes profissionais embalados na bebida ou nas drogas. Era tudo muito frenético como lá. Em conversas com alguns profissionais americanos aposentados e outros ainda em operação à época, percebia-se que o glamour do negócio de fato cria uma atmosfera muito propícia para o deslumbramento das pessoas. Todos se envolvem com grandes negócios que, diga-se de passagem, não são seus. Mas a impressão é que são. Os volumes de dinheiro envolvido no negócio, os produtos, as modelos, os artistas, tudo isso te leva a crer que você é imortal e absurdamente inteligente. É mais ou menos o que acontece quando um ator, jogador de futebol, artista, atleta deixa de ser. De ser o que? O que era!!!! Dá um tremendo vazio, uma real dimensão do seu tamanho. Não sei se vocês entendem. Uma coisa é ter dinheiro. Outra coisa é ter dinheiro e poder. Conheci pessoas que ficaram com dinheiro, mas perderam o poder. Quase perderam o dinheiro tentando recuperar o poder. Com os publicitários de sucesso, assim como com os atletas artistas e pessoas famosas, ocorre o mesmo fenômeno. Na hora que você descalça a chuteira, perde o cliente, ou não acerta mais na mosca ou não mata mais um leão por dia. Puff!!!!! A casa cai.

Até a próxima semana!

 

Chegando em Marco Island por mar após um bela pescaria:

Scan00016-1024x713 Scan00021-1024x708