Mad Man e Eu – Capítulo 8

Mad Man e Eu – Capítulo 8

Como disse no capítulo anterior, hoje vou falar um pouco da cidade e seu estilo. Como eu também já disse, essa convivência ocorreu em 1981, eu entrei na Exclam em 1975. Portanto tudo isso ocorreu há muito tempo.

Nunca tinha visto uma cidade inteira de “aposentados”, algo como o Cemitério dos Elefantes. Que coisa mais trágica pensava eu. A noite no nosso quarto na casa dos Daniels, Regina e eu conversávamos sobre essa experiência nunca vivida antes. Aliás a gente só falava português sozinho. Eles só falavam em inglês eram educados falando devagar e repetiam as palavras quando fazíamos cara de “não entendi”.

Depois, com a convivência com o grupo, com os amigos dos nossos amigos, começamos a entender melhor a vida americana de aposentado. Na prática ninguém se aposenta de verdade. Claro, tem os que passam a ter doenças ou que chegam no momento da aposentadoria já doentes. Conheci muitos alcoólatras disfarçados de alegres. Conheci velhos que estavam no quarto casamento!!! Aquele tempo para nós estávamos na faixa dos 33/38 anos, era tudo muito estranho em função dos países em que vivíamos. Eles nos USA e nós no Brasil. Não estou falando mal do Brasil, apenas observando as diferenças culturais como educação, comportamento, etc. Além de nós estarmos com todo o gás e eles aposentados na faixa de 75 anos ou mais. Mas com a convivência de uma semana a dez dias com frequência anual, fomos entendendo o que disse acima. Ninguém com boa saúde física e mental se aposenta de verdade.

Algumas vezes o Dan viajava para dar palestras em universidades, clubes, associações. Eram frequentes, no caso dele as palestras na AMA – American Marketing Association ou a IAA – International American Advertising. Todos eles participam como palestrantes ou debatedores nas suas áreas de atividade e participavam de seminários e reuniões debatendo temas e assuntos da atualidade (da época) pertinentes ao momento em que viviam. Gerando uma atividade bastante intensa e ganhando por isso. Escrevem livros, cases e mantém uma vida razoavelmente agitada.

Por insistência e “aval” do Dan acabei me filiando a ambas as associações e tendo mesmo à distância, um razoável volume de informações sobre o mercado americano e mundial. Recebia palestras e cases que as associações promoviam. Hoje tudo isso é possível de forma muito mais fácil via internet que nos aproximou a todos. Para o bem ou para o mal.

Notem que estou falando unicamente do negócio da comunicação. Em Marco Island tinha aposentado de todos os ramos de atividades. Outra coisa que descobrimos, foi que os americanos ricos se aposentam e vão para a Califórnia, os mais ou menos vão para a Flórida. Mas acreditem, se os pobres e remediados é que vão para a Flórida. Nem consigo imaginar como sejam os aposentados da Califórnia!!!

Para essa região da Flórida, você sai do aeroporto de Miami, pega a 95 North, vai até Coral Gables e pega a 41 West.

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Seguindo em frente, passa pelo Everglades, parque em que tem a reserva dos índios “Seminoles”, aqueles de cabelos tipo Neymar, que a gente vê em filmes da época da briga pela ocupação da Flórida entre americanos e franceses. Além dos famosos pântanos cheios de jacarés e onde se anda de barco com um enorme ventilador atrás.

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Por esse caminho, o mais curto, você vai chegar em Naples que é uma espécie de capital da região. Tem tanto jacaré no caminho que certo dia voltando a tarde de Marco Island, tivemos que parar o carro e esperar uns 20 minutos, uma “tribo” inteira de jacarés passar pela estrada para ir para outro lado do pântano. E Deus nos livre de atropelar um bicho desses. Da prisão, multa e uma terrível confusão.

Mas a cidade é um pequeno paraíso bem ao gosto da Regina e meu. Pequeno, todo mundo se conhece, tudo muito confortável, clube de golf, meia dúzia de excelentes restaurantes. Marinas espetaculares, barcos de todos os tipos. Quando o Dan contou para os amigos que eu era um fissurado por náutica, que tinha veleiro… Não tive mais sossego, tínhamos passeios de barco, pescarias e pequenas viagens de ir pela manhã e voltar a tardezinha. Não me lembro de ter visto um só carro de polícia. Tem muita ambulância e diversos hospitais…natural né?!

A primeira vez que fomos lá, perguntei ao Dan -quantos habitantes viviam na cidade? Mais ou menos uns 5.000 disse ele. E os empregados do clube, dos restaurantes enfim tem uma cidade, tem gente com família, filhos crianças. Não vi escolas. Aliás, não vi nada para crianças. Marco Island é uma cidade para aposentados, disse ele. A vida normal de quem tem família é em Naples que é a nossa capital, onde tem aeroporto, escolas, hotéis e toda a infraestrutura de cidade de porte médio americana.

 

Pessoal, mais e mais histórias na próxima semana.

 

 

DM

Estava com a bio quase pronta, no último ponto percebi que tudo o que eu digitei não estava sendo salvo. Nota: olhar menos para o teclado enquanto digita.