Mad Man e Eu – Capítulo 7

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Mad Man e Eu – Capítulo 7

A oportunidade de trazer para a Exclam a dupla Myra e Drapper Daniels, sem que eu soubesse mudaria a minha vida, tanto do ponto-de-vista profissional como pessoal e até familiar. Profissional porque descobri alguns anos antes dos demais companheiros de profissão de Curitiba, do Sul e também de boa parte dos profissionais do resto do país (incluindo Rio e São Paulo), que naquele tempo já eram os mais “desenvolvidos” profissionalmente. Mas nem todos tiveram a oportunidade que eu tive. Agarrei com unhas e dentes e passei a ter acesso a mais e melhores informações. Passamos a ser cobrados pelos planos que a dupla deixou na Exclam e também acesso direto a informações frescas e quase semanais diretamente da “matriz”. Coisa que só acontecia com as grandes McCann, Thompson, Lintas, etc…

Do ponto de vista pessoal, consegui crescer muito viajando com frequência para os USA. Passei a ter como amigos reais Myra & Drapper Daniels, que eram muito respeitados na história da comunicação americana. E através deles fazer mais amigos naquele país. Procurei em cada instante em que estive por lá arranjar reuniões e oportunidades para conversar com pessoas que ainda estavam trabalhando. Uma vez que o casal já estava “retired” e desfrutando da merecida aposentadoria.

Enquanto viveu o Dan foi meu introdutor nos EUA. Fui hóspede deles inúmeras vezes, de Miami downtown a Marco Island são 102 milhas, o que dá exatamente 164 km. O que nos permitia ir e vir no mesmo dia. Mas quando isso aconteceu, uma única vez, a bronca foi feia. Sinceramente fiquei sem jeito. Eles nos consideravam muito amigos e amigos, não ficam em hotéis!!!

Por favor, quando vieram novamente avisem antes disse o Dan. “Nós vamos buscar vocês no aeroporto e não aluguem mais carros, nós temos dois e só usamos um”. Enfim, foi uma bronca clara e definitiva. Aquele território chamado Estados Unidos da América era deles e não se discute. Quando estivéssemos por lá éramos propriedade deles.

Hoje me lembro com tristeza e alguma vergonha que para ir aos USA e ter liberdade de viajar e curtir o país, nós só ligávamos para eles depois de estar com a passagem de volta marcada. Sempre deixávamos uns três a quatro dias para passar com eles.

Passados exatamente 32 anos dos fatos aqui narrados, tenho ideia que nós realmente fazíamos falta para eles. Afinal, quando estávamos em Marco Island, éramos apresentamos como “nossos amigos brasileiros”. Tirávamos eles da rotina. Já citada aqui: 9:00 horas no Golf Club. As 12:00 bar, almoço no clube, dormitar, acordar e ir nadar. Fazer hora para ao fim do dia ir para a casa de algum ex-executivo também aposentado que queria nos conhecer e lá íamos nós para drinks, jantares e boa conversa sobre o Brasil, USA e suas diferenças culturais, políticas e sobretudo formação do povo. Ao fim da visita, voltávamos para casa, Regina e a Myra iam dormir. Dan e eu sentávamos na beira da piscina e em algumas vezes fomos dormir com o dia amanhecendo.Tudo andava em uma louca velocidade, quando dávamos conta já estava no dia de voltar.

Mas essa quase rotina anual durou uns 15 anos. A ponto de certa vez a Betty, esposa do Bill Rawson (se não me falha a memória) – ex-presidente da GM, recebeu-nos em casa e antes do jantar durante os aperitivos, nos fez uma homenagem tocando ao piano “Garota de Ipanema” e pediu que eu cantasse!!!!!! Foi um esforço desgraçado, porque era uma homenagem e eu não lembrava a letra inteira. Mas para salvar as aparências e após alguns goles de bom vinho californiano, perguntei se ela estava disposta a tocar novamente. Ela disse que sim e eu encostei-me ao piano (mas para segurar as pernas bambas) e cantei baixinho tentando imitar a voz fraca dos cantores da época. Ao fim todos aplaudiram, deram gritos e assovios e eu suado como se tivesse saído da sauna. Agradeci, olhei para a Regina, que disse baixinho: – segura o porre!!!!!!

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