Mad Man e Eu – Capítulo 6

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Mad Man e Eu – Capítulo 6

No capítulo anterior, comentei que levei o casal para conhecer Paranaguá. Descemos pela Serra da Graciosa e subimos pela atual estrada “pedageada” com o valor mais caro que já vi na vida. Mas…voltando a viagem, tinha um pessoal vendendo milho verde cozido, nas latas de querosene. Perguntei se eles queriam. O olhar da Myra foi no mínimo de repulsa. Ela perguntou o que é isso? Milho verde disse eu. Assim, nessa lata???? No thanks!! O Dan se rachou de rir da minha cara. Depois falamos muito sobre o risco de “comer coisas assim” segunda a Myra. De fato creio que andei por todo o País deles e nunca via nada como os nossos pinhões e milho cozido em latas de querosene.

Mas o que importa que muitos sistemas de controles implantados pela Myra na Exclam deram muito certo. Do ponto de vista criativo a coisa era mais conceitual. Como eles viam o negócio da comunicação, e como nós víamos o mesmo negócio. Ocorre que no Brasil, em função da Lei 4.680 de 1964, que regulamenta a nossa atividade, somos remunerados pelos veículos de comunicação e pelos fornecedores. Esse fato nos distancia anos luz dos padrões americanos de remuneração. Lá eles são remunerados pelos seus clientes em negociações variáveis em função não do volume de verba, mas em função do trabalho, envolvimento, disponibilidade, participação, etc, etc…O fato de no Brasil sermos remunerados pelos veículos, de certa forma, nos tira a liberdade e o comprometimento para com o  cliente. Afinal quem é teu patrão???

De volta a dupla de consultores que trouxemos.

Sistemas rígidos foram implantados, de relatórios de visita, com distribuição para baixo e para cima. Quer dizer relatório de visita para secretárias, vendedores, mas também para gerências e diretorias. Follow-up, ou seja relatórios semanais de atividades, estabelecendo quem pediu o trabalho, em que data, quem “brifou” a agência, para que prazo foi prometido e com quem estava o trabalho naquela semana. Se no cliente, ou na agência e de quem era a responsabilidade. Essa palavra até hoje soa nos meus ouvidos em alto e bom som “Responsability: this make our bussines”.

Como já disse em capítulos anteriores, o Dan estava voltado muito mais para o aspecto criativo e conceitual do negócio. Ele visitou clientes, observou métodos operacionais dos clientes, participava de reuniões no cliente, fazia perguntas, como já disse o Dan dava suas cacetadas em espanhol. O Gilberto traduzia para o cliente as perguntas do Dan e traduzia de volta as respostas. Mas eu diria que para a Exclam foi muito bom. Mudamos as características da empresa, depois deles. Trouxemos um diretor de planejamento de São Paulo, Carlos Chueiri, ex-DPZ. Fizemos um acordo de cavalheiros com a própria DPZ, para nos dar suporte em áreas que não dominávamos, como moda por exemplo.

Na Volvo o Dan deitou e rolou, nesse cliente todo mundo falava inglês. Cresceu muito na Volvo o respeito pela Exclam depois desse investimento. Na minha opinião, se somarmos as experiências da Myra e do Dan, ganhamos uma nova visão empresarial do negócio da publicidade. Além de intermináveis conversas sobre o negócio da propaganda nos USA. Amanhecemos, Dan, Gilberto e eu inúmeras vezes de sextas-feiras para sábado em conversas, visões sobre os colegas do Dan, seus trabalhos, como eram feitos. Como se portavam os clientes de lá, seus formatos, exigências um mundo completamente novo para a minha cabeça e creio que na do Gilberto também.

Comecei a sonhar em fazer algo por lá, passar algum tempo.

Enfim, fica muito longo explicar aqui as sensações e alegrias em perceber as imensas diferenças que norteavam os nossos trabalhos e o trabalho dos americanos. Tinha colegas em São Paulo e as coisas que discutíamos na Exclam ainda não eram discutidas na agências genuinamente brasileiras. Provavelmente na Thompson e na  McCan, esse formato deveria ser corriqueiro. Mas não nas nacionais.