Mad Man e Eu – Capítulo 5

Mad Man e Eu – Capítulo 5

Como eu disse no segundo capítulo da série Mad Man e Eu, conseguimos trazer para Curitiba um casal chamado Drapper Daniels e Myra Janco Daniels. Ele divorciado, casado em segundas núpcias com a Myra. Ela solteira casando pela primeira vez – ao que me consta – nunca falamos sobre isso.

Sei desse fato do Dan ter sido casado porque ele me disse que tinha filhos e me mostrou as fotos. Era um rapaz e uma moça e já bastante grandes, ambos na faixa de 30/40 anos. Quando nos conhecemos o Dan tinha 75 anos e a Myra uns 60.

Bem, os dois vieram para Curitiba sem falar uma palavra de português. O Dan falava um pouco de espanhol o que lhe permitiu se virar do Rio até Curitiba. Apanhamos o casal no aeroporto e hospedamos no hotel Del Rey, ali na esquina da Boca Maldita. Depois de uns dias eles já saiam do hotel para tomar cafezinho na BOCA. Foi quando expliquei ao Dan o que era a Boca, sua importância para a cidade e quem participava.  Apontei à ele alguns políticos e ex-políticos, juízes, empresários, médicos advogados, o “ Esmaga” a “Maria do Cavaquinho, a Gilda” e outros personagens e frequentadores. Ele ficou maravilhado com a democracia da Boca. Virou frequentador e observador do cotidiano da Boca Maldita. Como o hotel era ao lado, virou norma após o almoço irmos à Boca tomar o cafezinho antes de voltar a Exclam.

Começamos a trabalhar na Exclam. À época trabalhava conosco um diretor de criação chamado Gilberto Placeres Simão, que falava inglês fluentemente e deu uma grande ajuda. O Rody Jans, falava bem alemão e dava umas cacetadas em inglês, e esse sofrível contador de histórias também dava suas cacetadas no idioma do Dan, formávamos o grupo diário de discussão. Ele era muito mais solto que a Myra. Ela baixinha, durona e de pavio curto que cobrava as ações, primeiro do Gilberto com quem se comunicava bem, depois com o Rody e depois comigo. À noite sentávamos e fazíamos reuniões de avaliação do dia da semana e as “penduras” que iam ficando pelo caminho. Tínhamos que remodelar conceitos, aplicar a visão financeira da Myra e as obrigações técnicas de processos passados diariamente pelo Dan. O Gilberto com extrema paciência “re-traduzia” e pedia calma. Porque eu ia falando no meu inglês trôpego e quando faltava vocabulário, eu começa a falar em português…uma autêntica loucura. O que salvava era que nas reuniões da noite, antes do jantar rolava sempre um scotchzinho que ajudava a soltar a língua. Não necessariamente o entendimento deles!!! Mas eu me sentia melhor.

O Dan, a Myra e eu, fomos nos afeiçoando. Criando uma parceria, amizade, carinho e depois um profundo respeito mútuo. Eu pela admiração que nutria pelo casal, pelos conhecimentos técnicos e vivência de ambos no negócio da comunicação. E eles por mim. Provavelmente por ver a minha ansiedade em aprender tudo que eles podiam ensinar. Esse fato do carinho pela minha pessoa foi dito tempos depois, em uma noite quanto jantávamos no Island Golf Club lá em Marco Island onde eu fui hóspede deles em pelo menos uma dezena de vezes…Mas isso é papo para outro capítulo.

Voltando à Curitiba nos fins de semana, “alguém” tinha que ser babá do casal. Eles foram para Foz do Iguaçu, acompanhados pela Karen, que tinha acabado de voltar dos USA em um estágio de um ano. Falava bem a béssa. Brincaram da frase “poor Niagara Falls” comparando com as nossas cataratas. Levei-os à Paranaguá (claro!!!! Ia perder essa chance???) como já disse, eles moravam em Marco Island, na Flórida, praticamente dentro da água. Tinham barco e moravam a beira do canal.

Bem, hoje vamos parando por aqui, mas não posso encerrar o capítulo sem dizer que: O espetacular criador e grande publicitário Drapper Daniels, vice presidente da Leo Burnett, tema da atual série de tv, Mad Men, um dos maiores ícones da história da propaganda americana, viveu 90 dias em Curitiba e frequentou a Boca Maldita.