Mad Man e Eu – Capítulo 4

Mad Man e Eu – Capítulo 4

Tem coisas na vida que são absolutamente inexplicáveis. Novamente na vida, me defrontando com o problema de “cigarros de filtro branco.” Quando eu estava estudando e trabalhando no Rio de Janeiro, tinha recentemente saído da Fernando Chinaglia distribuidora, depois da passar pela Seleções do Reader’s Digest, distribuída nacionalmente pela FC-Editora cujas revistas no Paraná era distribuídas pela Guignone.

Mas como ia dizendo, naquele momento estava desempregado e procurando um. Não me lembro exatamente como acabei sendo entrevistado por um publicitário chamado Carlos Romero Mendes. Ele e o Ivo Weneck tinham uma agência chamada Máster Propaganda. O Carlos nunca mais o vi. O Ivo eu trouxer para Curitiba onde trabalhou comigo e depois apaixonou-se por uma curitibana e ficou por aqui alguns anos mais. É difícil contar um caso, a vida nos leva por diversos caminhos e – seguramente – todos bifurcados.

Mas lá estava eu sendo entrevistado na sede da Master, na Av. Presidente Vargas no Rio de Janeiro, pelo Carlos Romero Mendes, quando entra o Ivo meio esbaforido. Somos apresentados e ele vira pra mim e pergunta: Você fala inglês? Olha, disse eu! O Carlos interrompeu e disse o “Paraná aqui” está saindo da Seleções. Na realidade levei muito tempo para perder o sotaque curitibano, que no Rio era gritante. Por essa mesma razão o meu apelido da distribuidora era “Paraná”. Não sei se o Carlos já sabia disso ou me re-apelidou naquele instante. O Ivo perguntou, você fuma? Fumo, disse eu. Deixa eu ver o maço? A época, eu em função de ter trabalhado na distribuidora cheio de contatos com cubanos e americanos, eu fumava um cigarro importado chamado Benson’s & Hedges. O Ivo disse esse pode. Não podia se fosse da Souza Cruz. Você vai comigo agora visitar um prospect. Virou para o Carlos e perguntou: A apresentação esta pronta? Sim, disse o Carlos. O Ivo, então vamos embora, me pegando pelo braço.

Daquele momento em diante eu era atendimento assistente da “possível” conta da Companhia Lopes Sá de Tabacos. Maior concorrente da Souza Cruz e fabricante do cigarros LS, os primeiros no Brasil a serem lançados com filtro branco, maiores que os normais e com jeitão de piteira.  As razões eu desconheço, mas a vida colocou no meu caminho o mesmo cigarro longo de filtro branco que tinha sido colocado na vida do meu especial amigo Drapper Daniels, criador para a Phillips Morris do cigarro Marlboro. Cujo tema era a vida ao ar livre, a liberdade das savanas do Oeste americano. O HOMEM DE MARLBORO.

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