Mad Man e Eu – Capítulo 11

Mad Man e Eu – Capítulo 11

No capítulo passado do Mad Man e eu, acabei entrando por um caminho que tenho evitado. Ou seja, fazer comparações entre a propaganda americana e a brasileira. Até porque não tem nada a ver. O americano é um mercado evoluído e com alto poder aquisitivo e o brasileiro é um mercado emergente, com classes socioeconômicas que vem do “A à D”. E se formos detalhar o que é classe “A” no Brasil, ficaríamos chocados com a pobreza dessa classe. Segundo IBOPE, classe “A” é quem tem casa própria, geladeira, televisão um carro, e tira férias?!

Bem, vamos voltar a falar do Drapper Daniels. Parece que tem um ditado que diz que o diabo é perigoso porque é velho e não porque é mau. Não sei muito sobre isso, mas que a experiência vivida é fundamental, lá isto é.

Com a experiência adquirida nas empresas por onde passou e em especial nas agências. Tendo iniciado sua vida profissional em 1935, na Vick Chemical Co. em Nova York. Essa mesma empresa produz hoje no Brasil o Vick Vaporub. Logo depois ele foi contratado com redator da Young & Rubicam, e em 1947, foi transferido para Chicago, como redator chefe. Quem vê a série “Mad Men” na TV sabe que as agências naquele tempo usavam um grupo de trabalho que participava em todos os processos criativos, um comitê criativo. Dan virou presidente desse comitê e dois anos depois acabou sendo convidado pela Leo Burnett onde explodiu como criativo. Tendo se transformado na lenda que ainda hoje alimenta o sonho de centenas de estudantes de comunicação nos USA.

Dan acabou construindo amizades e relacionamentos que foram muito importantes para o resto da vida. Nós brasileiros temos grande facilidade para fazer amizades. Todavia somos péssimos para mantê-las. O Dan que conheci, não tinha a mínima ideia de trabalhar para o Governo. Mas por ser um autêntico democrata, acabou se envolvendo com a campanha que elegeu o 35º. Presidente dos USA. John Fitzgerald Kennedy que – após eleito – o convidou para trabalhar no Departamento de Comércio, onde ocupou o cargo de Coordenador de Expansão de Exportação Nacional. Para ocupar esse cargo ele pediu demissão da Leo Burnett em 1963 e passou a fazer palestras pelo País incentivando os empresários americanos a exportar mais. Dentro de um programa criado pelo Governo Kennedy que era o máximo da época. O Presidente Kennedy oriundo de uma família de ricos empresários americanos, casado com Jacqueline Lee Bouvier Kennedy. Linda, de muito bom gosto para se vestir, criou um novo padrão no formato de vestir para as mulheres de Presidentes americanos. Normalmente muito apagadas atrás das figuras de seus maridos. Afinal eles eram e ainda são “os poderosos Presidentes dos USA.” Com “Jackie”, como ficou mundialmente conhecida, não tinha essa de ficar atrás do marido. Eles, o casal, tinham amigos famosos, incluindo um membro da própria família – Peter Lanford – ator que era casado com uma das irmãs do Presidente e integrante da famosa “Rap Trapp” grupo do qual fazia parte, Frank Sinatra, Sammy Davis Jr, Dean Martin. Eram todos amigos e frequentadores da Casa Branca. Dando à Presidência dos USA uma dimensão de extrema atualidade porque esse grupo fazia parte do “grand monde” internacional e estrelado de Hollywood.

É difícil escrever sem se perder nos meandros das histórias. Desculpem, a verdadeira história que quero contar é o do Mad Man e eu, mas acabo enveredando pelos desvãos da época em que vivi, das minhas próprias memórias. Mas quando entrei pelo caminho errado falando dos “Kennedys”, estava falando do Drapper Daniels, que ao sair do Governo Kennedy foi para a McCann-Erickson como Vice-Presidente Executivo. Não sei dizer quanto tempo ficou por lá, mas passou pelo Compton Advertising Inc. antes de abrir a sua própria agência. Como já disse anteriormente, após começar a escrever sobre o Mad Man e Eu, tive que rebuscar nas minhas lembranças e papéis que guardo, material para falar do Dan.

Todavia, antes de encerrar esta coluna, lembrei de um amigo americano que não falava nada, mas surpreendentemente ficava enroscado em mim ou na Regina quando estávamos em Marco Island na casa dos Daniels. O meu amigo “Ton Cat.” como ele era muito tímido só tenho uma foto dele. Vocês têm que olhar com atenção o lado direito da piscina. Lá está ele posando no seu estilo americano, pêlo amarronzado, olhos castanhos claros e extremamente meigos. TON CAT, nosso amigo.

 mad11