Mad Man e Eu – Capítulo 10

Mad Man e Eu – Capítulo 10

Pessoal, dia desses amigos que conviveram essa série que estou relatando aqui, sentiram falta da origem e mais informações sobre o “Homem de Marlboro” que conheci e provavelmente um dos mais badalados “Mad Men” com quem convivi. Draper Daniels.

Assim, me obriguei a buscar nos meus alfarrábios, coisas que trouxe dos USA que me foram dadas ou posteriormente enviadas pelo Dan ou ainda pela Myra. Aliás, quero comentar que a Myra Janco Daniels, esta viva e atuante na comunidade de Naples que – como já disse aqui – é a capital da região, ou seja, cidade polo do oeste da Flórida, região que fica Golfo do México.

Descobri um livro escrito pelo Dan intitulado “Gyants, Pygmies and Others Advirtising People” o qual recomendo. Pelo menos para vocês terem ideia de como era a publicidade naquele tempo. Vou ver se foi traduzido para o português e se foi, por qual editora.

O cidadão Drapper Daniels, não se resumia a ser um excepcional redator, já aquele tempo ele tinha um procedimento muito parecido com o do “nosso” Júlio Ribeiro, da Talent. Tanto a pessoa do Júlio quanto a agência à qual sou profundo admirador e “tiete” dito aqui e dito pessoalmente a ele com quem mantenho excelente relação de amizade e carinho.

Qual a semelhança entre os dois? A preocupação pela verdade do texto. Pela investigação sobre o produto, sua distribuição, seus detalhes, sempre que possível experimentando o produto. A responsabilidade “do que dizer” sobre o produto. Desta forma o Dan, assim como o Júlio, descobriram temas de campanhas que ficaram (no caso do Júlio ainda estão) na história da propaganda americana e brasileira. No caso do Dan a famosa campanha para a cerveja Schilitz “real flavor” o real paladar de uma cerveja. Ou o posicionamento correto para o cigarro Marlboro que tinha um problema de ser “cigarro de mulher” porque tinha um filtro branco o que deixava cigarro mais longo, com cara de piteira.  E quem fumava cigarros com piteira eram as mulheres para não deixar mau cheiro nos dedos. O posicionamento encontrado foi o personagem “Homem de Marlboro” o famoso cowboy, vaqueiro, macho que levantava cedo e andava a cavalo nas pradarias americanas. E que ao parar o cavalo sempre acendia um cigarro – Marlboro. É bom lembrar também que aquele tempo já existia uma surda batalha contra a indústria do tabaco nos USA.

No caso da Talent e o do Júlio, suas campanhas estão ai até hoje com mais de 10 anos de veiculação. “Brasileiro é apaixonado por carro”, para Ipiranga, “não é nenhuma Brastemp”, para a própria e muitas outras. O que quero demonstrar aqui é que a responsabilidade para com o produto, o mercado o consumidor, é muito maior do que títulos com rimas, artistas globais, ou textos de efeito mas sem nenhum conteúdo.

Vou interromper a história do Dan e seu homem de Marlboro para falar um pouco sobre o negócio da propaganda.

Quando você trata com seriedade, respeito o negócio do seu cliente, seu produto, seu consumidor, você não pode pensar em ganhar prêmio. O prêmio TEM QUE SER O RESULTADO DO SEU TRABALHO PARA O CLIENTE. Busque resultado, o prêmio é uma consequência natural. Agora, se buscar o prêmio para você vem antes do resultado para seu cliente…Você estará fazendo um péssimo trabalho para seu cliente e para você mesmo. Acredite: NÃO FUNCIONA ASSIM.

Amigos acabei entrando em um caminho que tenho evitado. Depois de 52 anos de profissão, falar de propaganda é meio chato.

Chato porque parece coisa de gente velha e rabugenta, achando que no passado era melhor. NÃO ERA! Apenas quero trazer de volta para o nosso negócio a responsabilidade perdida.

Falamos na próxima semana, trazendo mais informações sobre o nosso tema original. O verdadeiro Mad Man e Eu.