Mad Man e Eu – Capítulo 1

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A história que vou começar a contar hoje, terá que ser dividida em capítulos para que não se perca nada do que de fato aconteceu. Sobretudo a importância desses fatos na minha vida pessoal, familiar, profissional e o quanto esses fatos impactaram a minha vida.

Creio que todos que de alguma forma vivem o negócio da propaganda, do marketing e demais atividades que se desenvolvem no “em torno” do negócio da comunicação. Que, é infinitamente maior do que o público enxerga. Por exemplo: tem gente paga e muito bem paga para achar locais de locações!!! Locação é o lugar onde se faz as tomadas de cena. A Globo por exemplo construiu uma cidade cinematográfica. Quando eu visitei a Califórnia, há muitos anos, fui ver os studios em Hollywood, simplesmente fantástico. Hoje com as novas tecnologias é possível fazer quase tudo sem sair muito do lugar. Fazer um filme sobre a África em plena Califórnia USA.

Mas vamos retomar o rumo da história. Todo mundo acima qualificado, sabe ou já ouviu falar de “Mad Men”, título de livro recentemente recomendado neste blog – e toda a fantasia em torno do assunto. E mais recentemente a série de TV, do mesmo nome que vem fazendo sucesso desde 2007, recentemente “descoberta” no Brasil.

Aqui começa a história de Mad Man e eu – Capítulo 1 

A expressão “mad men” foi cunhada – pelo que me lembro –  no início dos anos 50. Lembrem que nessa época os Estados Unidos da América, daqui pra frente denominado de “USA. Estava saindo da segunda grande guerra Mundial onde liderou o grupo de Países que se denominou de os “Aliados” grupo que o Brasil fazia parte.

Toda a indústria americana estava voltada para produzir material bélico e/ou materiais de utilidade para a guerra, como uniformes, gaze, esparadrapo, armas, bombas, etc, etc.

Bem, quando a guerra acabou havia necessidade criar milhares de empregos para homens e mulheres e também um mercado de consumo. A indústria de tanques passou a fazer carros, a de aviões de guerra aviões comerciais, as de uniformes, roupas e assim sucessivamente.

A “nossa” indústria da comunicação passou a ter de uma hora para outra um número inacreditável de clientes, todos querendo e precisando disputar um mercado novo e voltado para o consumo. Uma espécie de minha casa minha vida para todos!!!! Ricos, médios e pobres.

Pessoal, vamos deixar claro. Agencias como JWThompson, McCan, Grey Adverstising, DD&B, Olgilvy, Leo Burnett  e tantas outras já existiam é claro. Mas nessa década 50/60 criaram-se centenas de agências nos USA.  O foco central das agências a Madison Avenue em NY, teve, gradativamente seu eixo deslocado para outros pontos do USA.

Eram tempos loucos, de grandes realizações e investimentos idem. Montavam-se agências do dia para a noite, comprava-se 4,5 andares de prédios para montar agências porque “alguém” tinha ganho uma conta. Disputava-se profissionais de todas as áreas nas mesas de restaurantes e/ou nos happy-hours dos bares.

Nesse ambiente, foi cunhada a expressão “mad men” por duas razões:

a) De fato era uma época de loucuras.

b) Não tinha mulher dona de nenhuma agência.

As mulheres vieram algum tempo depois, em funções importantes e até como associadas. Mas nunca como donas de agência e se teve, eu não tenho conhecimento. E convivi com esses “loucos” mais de 20 anos, alguns desses anos sozinho e depois quando meus filhos foram estudar em universidades americanas e por essa razão convivemos com profissionais da área, nas empresas, nas agências e nas universidades.

A mulher com quem mais convivi foi Myra Janco Daniels, diretora administrativa e de relações públicas da Leo Burnett, já aposentada e cuja última conversa foi por telefone quando eu lhe disse que queria ir visitá-la. E ela, sonoramente bem no estilo americano. “Darling I can’t, I am helping Bill on his re-election. Monica did a great damage in our campaing”. Querido, não posso, estou ajudando Bill ( Willian Clinton 42o Presidente dos USA) a se reeleger. Monica (Lewinski) deu um grande prejuízo para a nossa campanha….”

Fazem uns 30 dias mandei uma mensagem para o jornal de Naples, onde ela vive, porque vi uma foto dela recebendo um titulo de “colaboradora da comunidade”. Oportunamente falarei mais da Myra e sobre Naples. A cidade de Naples, espécie de cemitério dos elefantes. Não tem escolas, não tem espaço para crianças (tão comum em outras cidades americanas) e toda a cidade é voltada para proporcionar o que eu denominei o “ócio da velhice”. Excepcionais clubes de golf, hospitais maravilhosos, facilidades de toda espécie. Foi o único lugar em que vi restaurante por quilo há mais de 20 anos atrás. Onde o horário do happy hour começa às 11:00am e termina as 7:00pm.

 

Por hoje é só:  The end

Hiram Silva Souza